segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A MÃE DO OURO - II

(Fatos verídicos)


                                   Conforme narrei em relato anterior, mudei-me para Cristina-MG no início de 1.978, influenciado por dois acampamentos que fizera no final do ano de 1.977 e nos quais ocorreram estranhos fenômenos luminosos que sempre eram presenciados por uma única pessoa, pois os dois membros restantes portavam-se como se estivessem desmaiados. Disse também que, naquele local, tais fenômenos sempre foram frequentes, conforme relatos da minha família materna (tios, avós e mesmo minha mãe).


                                   Residi em Cristina-MG do início de 1.978 até fins de 1.981, quando retornei para Ouro Fino-MG, embora voltasse frequentemente àquela cidade, na qual mantive uma casa ainda por muitos anos.


                                   Em meados de setembro de 1.979, retornando da casa de amigos e rumando para minha própria casa, acabei me detendo na praça principal da cidade, onde um grupo de rapazes e moças se divertia tocando violão e tomando vinho. Estavam todos sentados no chão do passeio e eu em pé, pois havia parado apenas por alguns momentos para apreciar um pouco da música e bater papo. Era por volta de meia-noite. De repente, vinda da direção do Pico da Tuiúva (no Bairro da Paciência e bem próximo ao local narrado no relato anterior), uma bola de fogo cruzou os céus, passando pouco acima dos telhados à minha frente, e indo na direção da Cachoeira da Gruta, que dista uns quinhentos metros da praça principal da cidade.


                                   Intrigado com mais aquele episódio, além dos anteriores, retomei minhas expedições ao local, agora acompanhado de amigos daquela cidade, mas nunca houve qualquer acontecimento similar aos anteriores, até que, numa dessas ocasiões, resolvi ir sozinho, ficando hospedado na casa do meu tio (irmão da minha mãe). Porém começou a chover pouco depois da minha chegada, de forma que se tornou impossível aventurar-me pelas trilhas da região à noite e sob forte chuva. Assim, o jeito foi me recolher cedo, no quarto onde dois primos meus já estavam acomodados em suas respectivas camas, mas ainda acordados.


                                   Usando técnicas de “desdobramento”, mentalizei-me saindo da cama, do quarto e da casa onde me hospedava. Depois me vi percorrendo a trilha até a cachoeira e me sentando à margem do riacho. Me imaginei fechando os olhos e invocando aquela bola de luz, que vinha sendo vista com freqüência naquele local, pedindo que se materializasse à minha frente. Um súbito clarão aconteceu então, levando-me a abrir os olhos. Lá estava a bola de luz azulada, do tamanho de uma laranja, mas não na cachoeira e sim dentro do quarto. Tentei chamar meus primos e até os outros que dormiam nos demais aposentos, mas eu estava completamente paralisado. Alguns segundos depois a luz desapareceu, assim como veio.


                                   Em fins de 1.981 retornei para Ouro Fino-MG e, embora regressasse várias vezes para Cristina-MG, não tive outras experiências iguais.  


                                   Faço aqui um breve parêntesis para mencionar que a cidade de Cristina-MG propriamente dita fica entre três picos: o Pico da Pedra Branca (1.847 metros de altitude), o Pico da Pedra do Urutu ou da Pedra Riscada (1.977 metros de altitude) e o Pico da Tuiúva (1.991 metros de altitude).


                                   Pois bem, dos três picos só não escalei ainda o Pico da Pedra Branca, vez que um temporal me impediu de atingir aquele objetivo. Escalei a Pedra do Urutu em 1.980.


                                   Ao topo do Pico da Tuiúva eu cheguei no início de 1.991, ano cujo numeral corresponde à altitude daquele pico. Acompanharam-me naquela expedição os amigos Sidney e Gabriel (o “Arcanjo”). Ficamos acantonados num paiol de fertilizantes a meio caminho entre a casa do meu tio e o topo do pico. Recordo-me que tive uma noite péssima, com sérias indisposições gastrointestinais que, felizmente, sumiram ao romper do dia.


                                   Atingimos o topo por volta do meio dia. Lanchamos, descansamos e tiramos algumas fotos. Antes do nosso retorno, um dos meus primos nos localizou. Ele subiu no topo de uma árvore, a pedido nosso, para ver se conseguia fotografar alguma cidade ao longe, mas não foi possível. Mesmo assim, para não perder o trabalho da subida, ele posicionou o foco da máquina em nossa direção e acionou a máquina.


                                   Enorme foi a surpresa minha quando mandei revelar as fotos e constatei que, numa delas,  estávamos envoltos numa espiral luminosa, como se estivéssemos no centro de um portal (túnel) que se abria naquele momento, apresentando em seu interior imagens de criaturas grotescas.


                                   Algumas pessoas talvez dirão que as imagens que vemos na foto não passam de “pareidolia”, que é um tipo de ilusão que consiste em reconhecer pessoas ou objetos em estímulos vagos ou caóticos (é como ficar olhando para as nuvens e, num dado momento, visualizarmos rostos e objetos). Mas, e os acontecimentos anteriores, ocorridos nas proximidades do referido local?...


                                    

                                   José Carlos de Paula
                                   Escritor e pesquisador do sobrenatural.
                                   (Ouro Fino/MG, 31 de julho de 2.011).


OBS.:   1- Foto em anexo (COM e SEM destaque).

            2- (*) Dados obtidos no site http://cristina.mg.gov.br/?page_id=1550







domingo, 2 de outubro de 2016

A MÃE DO OURO - I

(Fatos verídicos)


                                   Desde a minha mais tenra infância minha mãe, meus tios e meus avós contavam histórias acerca de fenômenos luminosos que aconteciam no Bairro dos Tocos (situado entre o Bairro da Beleza e o Bairro da Paciência), no Município de Cristina-MG, terra da minha família materna.


                                   Segundo me contavam minha mãe, tios e avós maternos, bolas de fogo voavam baixo no céu e caiam sobre uma laje de pedra no meio do ribeirão, a uns cinqüenta metros da casa dos meus avós. Também era comum se ouvirem conversas e ruídos como o barulho semelhante ao socar de um pilão, além de círculos luminosos sobre a referida pedra (a revista “Planeta” número 64, de janeiro de 1.978, publicou um relato meu sobre tais eventos). Todavia, referida laje de pedra acabou partindo-se ao meio, e, a partir de então, os fenômenos cessaram naquele local.


                                   Porém, não se extinguiram, posto que os mesmos fenômenos passaram a se verificar numa cachoeira situada uns três quilômetros rio acima, conforme atestavam inúmeras pessoas do bairro, cuja idoneidade sempre foi inatacada, dentre os quais alguns tios e primos.


                                   Intrigado com tais fenômenos, e curioso por constatá-los pessoalmente, convidei dois amigos do Tiro de Guerra e partimos de trem até Cristina-MG, em dezembro de 1.977. Da cidade até o Bairro dos Tocos, naquele município, seguimos a pé por aproximadamente quatorze quilômetros.


                                   Armamos as barracas e acampamos no interior de um pequeno bosque, a uns cem metros da belíssima cachoeira. Jantamos feijoada em lata com pão, conversamos até por volta de umas 21:00 horas e, cansados da caminhada, fomos dormir. Na manhã seguinte um dos companheiros de jornada nos informou em pânico que uma bola de luz azulada, do tamanho de uma laranja, havia circundado a nossa barraca duas vezes e que ele havia tentado nos acordar, mas não obteve sucesso, pois eu e o outro colega aparentávamos estar desmaiados.


                                   Todos nós retornamos para Ouro Fino-MG intrigados. Então planejamos retornar ao mesmo local uma semana depois e ali pernoitar novamente, mas o colega que teve a visão da luz se recusou a acompanhar-nos outra vez, de forma que foi substituído na segunda expedição pelo irmão do outro colega de Tiro de Guerra. 


                                   Repetiram-se a viagem de trem, a caminhada, a montagem das barracas e o mesmo jantar. Fomos dormir aproximadamente no mesmo horário, tomando o cuidado de revisar as armas e posicioná-las em local de fácil alcance, já que o local sempre foi freqüentado por lobos e é, até hoje, passagem de onças. O armamento da primeira expedição fora reforçado ainda mais na segunda. Ao contrário da semana anterior, dessa vez chovia sem parar.


                                   Na manhã seguinte o outro colega de Tiro de Guerra nos relata com espanto que, após dormir um certo tempo, acordou com a floresta toda iluminada, “parecendo uma catedral” e que ouviu ruídos estranhos, mas igualmente não conseguiu acordar nenhum de nós. Afirmou que chegou a chutar a mim e ao seu irmão em várias partes do corpo para nos acordar, mas não conseguiu, pois parecíamos estar desmaiados. Convém destacar que ele, assim como nós, estava calçado de coturno.


                                   Estes dois episódios foram preponderantes na minha decisão de me mudar para Cristina/MG em janeiro de 1.978, aliás, no mesmo mês em que foi publicada a matéria na revista “Planeta”.


                                   E foi justamente em razão da referida matéria que dois jovens ufólogos paulistas se interessaram pelo assunto e foram à minha procura em Cristina-MG, para que os conduzisse até o local, o que fiz com grande prazer, dada a qualidade dos equipamentos que portavam. Chegamos próximo ao local por volta de 20:00 horas e estávamos no quintal da casa do meu tio quando eu vi um círculo prateado, com o tamanho aparente de uma lua cheia, descer quase verticalmente e desaparecer atrás da colina após a casa do meu tio. Infelizmente por estarem os dois ufólogos de costas para o evento e dada a rapidez do fenômeno não lhes foi possível visualizá-lo. Nenhum outro acontecimento extraordinário ocorreu naquela noite, embora fôssemos dormir bem tarde, dessa vez hospedados na casa dos meus parentes.


                                   Na manhã seguinte fomos até o local onde aparentemente havia pousado o círculo prateado, coincidentemente o mesmo lugar dos acampamentos anteriores, mas nenhum sinal ou marca foi encontrado. Várias fotografias foram tiradas e retornamos frustrados para a cidade. Dali os ufólogos retornaram para a capital paulista.


                                   Alguns dias depois recebi deles uma carta de agradecimento acompanhada de um relatório e uma das fotografias do local, a qual garantiam os ufólogos não haver sido manipulada artificialmente, vez que haviam revelado o filme em laboratório próprio, tendo lhes causado enorme surpresa a fotografia parcialmente “queimada”, trazendo estranhas formas desenhadas na rocha do solo e um halo de luz que, em se prestando bastante atenção, forma os contornos de um rosto feminino com vasta cabeleira ou véu.  


                                   José Carlos de Paula
                                   Escritor e pesquisador do sobrenatural.
                                   (Ouro Fino/MG, 30 de julho de 2.011).


OBS.: Foto em anexo (COM e SEM destaque).




sexta-feira, 9 de maio de 2014



POR QUE ADORADORES DO DIABO MATARAM SHARON TATE ?

A atriz Sharon Tate estava no auge do sucesso, pois havia acabado de estrelar o filme “A Dança dos Vampiros” (The Fearless Vampire Killers), uma comédia de terror de 1.967, dirigida e co-estrelada por Roman Polansky, esposo da atriz.





Roman Polansky e Sharon Tate


Em 1.968 foi lançado o filme “O Bebê de Rosemary” (Rosemary's Baby), um filme norte americano de terror, dirigido e roteirizado por Roman Polanski, tendo por base o romance homônimo de Ira Levin, publicado em 1.967. O filme, em breve resumo, conta a história de um jovem casal, Rosemarey (Mia Farrow) e Guy Woodhouse (John Cassavetes), se muda para um prédio habitado por estranhas pessoas, onde coisas bizarras acontecem. Quando ela engravida, passa a ter estranhas alucinações e vê o seu marido se envolver com os vizinhos, uma seita de bruxas que quer que ela dê luz ao Filho das Trevas.




Antes de se decidir por Mia Farrow, Roman Polanski originalmente tinha em mente sua esposa, Sharon Tate, para fazer o papel de Rosemary. Ela não estava escalada para o papel, mas fez uma aparição sem créditos no filme, durante uma cena de festa. 

Mia Farrow

Além do mais, três anos antes de sua morte, Tate fez o papel de uma bruxa no filme "Olho do Diabo". A conclusão do filme: Um sacrifício de sangue foi necessário para "deixar as coisas bem novamente".




Houve rumores persistentes, alegando que Anton LaVey, o fundador da Igreja de Satanás, desempenhou o papel sem créditos de Satanás durante a cena de impregnação, e também serviu como um conselheiro técnico para o filme. Não há nenhuma prova do envolvimento de LaVey no filme, mas ele esteve, no entanto, ligado à aura do filme de outra maneira: Segundo Susan Atkins (autora do livro “Filha de Satanás, Filha de Deus” e integrante do grupo de Charles Manson denominado “a família”), Manson, um dos assassinos de Sharon Tate, foi um ex-seguidor de Anton LaVey.

Charles Manson

A chacina da mansão Polanski figura entre os grandes crimes da crônica policial dos Estados Unidos e fãs do mundo inteiro ainda se lembram da linda e loura atriz de Hollywood brutalmente assassinada.

Num sábado, 9 de agosto de 1.969, às nove e meia da manhã, a senhora Winifred Chapman, camareira da família Polanski, chegava à mansão em Bel-Air, o bairro mais aristocrático de Hollywood, para cumprir suas funções. Mal havia passado o portão de entrada, encontrou dois corpos no gramado em frente à porta de entrada, na qual estava escrita a palavra “Pigs” (Porcos) com sangue. Dentro da casa havia mais dois corpos inertes e ensanguentados, um deles de uma loura grávida de oito meses, vestindo roupa íntima e com uma corda de náilon enrolada no pescoço.

Liderados por Charles Manson, um ex-presidiário aspirante a músico, que havia criado uma comunidade hippie de jovens seguidores, o grupo havia assassinado Sharon Tate e seus hóspedes com requintes de crueldade, num dos mais bárbaros crimes da história dos Estados Unidos. Além de Manson, os crimes foram cometidos por Charles “TEX” Watson, Patricia Krenwinkel, Susan Atkins e Leslie Van Houten.

A seita de Charles Manson (“a família”) entrou em ação quando a fúria de Mason transbordou em 8 de agosto, e ele decretou que era a hora de Helter Skelter (nome de uma música do último álbum dos Beatles e uma denominação que ele dava a uma série de acontecimentos catastróficos que acreditava provocaria uma guerra racial nos Estados Unidos, do qual ele emergeria como um líder natural).

O motorista Steven Parent foi o primeiro a ser atacado com uma facada no pulso e quatro tiros. Em seguida Watson, um dos membros do grupo, entrou por uma janela e abriu a porta da frente para Atkins e Krenwinkel. Quando Watson sussurrou por Atkins, Wojciech Frykowski, hóspede de Polansky que dormia no sofá da sala de estar acordou e levou de Watson um chute na cara. Quando o polonês lhe perguntou quem era e o que queria ali, Watson respondeu: "Eu sou o diabo e vim aqui fazer coisas do demônio". Atkins explorou a casa, descobriu os outros três ocupantes e, com a ajuda de Krenwinkel, levou todos para a sala. Watson começou a amarrar Tate e Sebring pelo pescoço com uma corda que trouxeram a atirou-a por sobre uma viga da sala. Sebring protestou contra o tratamento a Tate, dizendo que ela estava grávida, e levou um tiro e sete facadas do psicopata. Frykowski foi esfaqueado repetidamente (51 facadas) e morto com dois tiros. Em outra parte da casa, Abigail Folger, esposa de Frykowski, tentava escapar de Patricia Krenwinkel e fugiu do quarto de dormir em direção à piscina. Ela foi perseguida pela assassina que a derrubou e a esfaqueou. Watson juntou-se à ela e os dois esfaquearam a mulher 28 vezes. 


Na sala da mansão, Sharon Tate implorava para ser deixada viva para ter seu bebê e ofereceu-se como refém ao grupo em troca da vida da criança. Atkins e Watson não lhe deram ouvidos e a esfaquearam 16 vezes, várias das facadas na barriga. Anos depois, na prisão, 'Tex' Watson escreveu que Tate gritava "Mãe..mãe...!", à medida que ia sendo assassinada.

Mais cedo, quando o grupo ainda estava no Spahn Ranch, Charles Manson havia dito às mulheres que deixassem um sinal de sua passagem pela casa após os crimes, algo ligado "à bruxaria". Usando a toalha com que tinha amarrado as mãos de Frykowski, Susan Atkins escreveu com o sangue de Tate a palavra "PIG" (porco) na porta da frente da casa. Depois dos assassinatos e voltando para o rancho, o grupo trocou as roupas ensanguentadas e as jogou fora junto com as armas nas colinas pelo caminho.

Inúmeras teorias surgindo ligando o assassinato da Sharon Tate ao filme “O Bebê de Rosemary” é uma das produções mais arrepiantes e aclamadas de Roman Polanski e um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Segundo muitos estudiosos, o sacrifício macabro de Sharon Tate foi uma resposta dos satanistas à revelação de segredos da seita através do filme.




O filme teve como cenário o Edifício Dakota, o qual, juntamente com outros edifícios do Upper West Side, são conhecidos por ser a casa da aristocracia de Nova York (o "dinheiro antigo"). O Dakota também atraiu celebridades, como atores, cantores e escritores. É o "lugar para se estar" para a elite de Nova York.

Falando nisso, a morte de John Lennon é outra peça do quebra-cabeça estranho. O assassinato ocorreu quando John estava caminhando para o Dakota, o prédio onde "O Bebê de Rosemary" foi filmado, e onde ele estava vivendo no momento. Mark David Chapman, o "louco solitário", que matou Lennon é bastante suspeito de ser escravo monarca de controle mental.

Chapman também tinha ligações com altos manipuladores e o estranho círculo de celebridades ocultas.

"Assassino de Lennon, Mark David Chapman, reuniu-se com o amigo de LaVey, Kenneth Anger, um discípulo americano de Aleister Crowley, em Honolulu, no final dos anos 1970. Em 1967, Anger tinha dirigido um filme chamado 'Lucifer Rising', estrelado por Bobby Beausoleil, seguidor de Manson. Outro seguidor e assassino de Tate, Susan Atkins, tinha aparecido com LaVey em performances em uma área de um clube de strip em Los Angeles." (Michael, A. Hoffman, Sociedades Secretas e Guerra Psicológica).

Edifício Dakota
Música "Helter Skelter"

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ANO DE 1.979: BRUXARIA E FOGUEIRAS




Quando uma cidade brasileira voltou à Idade Média
Popularmente, o termo macumba é utilizado para designar pejorativamente vários cultos sincréticos praticados comumente no Novo Mundo, sob a influência de religiões como o Candomblé e mesmo os cultos indígenas de algumas tribos.
Porém, ainda que macumba habitualmente seja confundida com tais práticas religiosas, os praticantes e seguidores dessas religiões rejeitam o uso do termo para designá-las. A macumba, na acepção mais popular do termo, se refere mais propriamente ao feitiço, ou despacho.
Tanto a Umbanda quanto o Candomblé normalmente trilham suas práticas no caminho do bem, mas existem terreiros que se dedicam também (ou tão somente) à prática da magia negra, fazendo trabalhos que não raro exigem sacrifícios de animais. O sacrifício humano pode ocorrer algumas vezes, como ocorreu no caso ora relatado.
Cantagalo, cidade pacata do Estado do Rio de Janeiro, contava à época com uma população em torno de 15.000 (quinze mil) habitantes. Na época dos fatos, por conta das suas extensas reservas de calcário então descobertas, a região vinha atraindo o interesse de vários grupos internacionais.
No dia 07 (sete) de outubro daquele ano, durante um piquenique, foi sequestrado Antônio Carlos Viana, conhecido como Juninho, uma criança de apenas 2 (dois) anos de idade. Inúmeras buscas foram feitas pela região, mas sem sucesso algum, até que, no dia 14 (quatorze) de outubro foi encontrado o cadáver da criança, sem cabeça e desmembrado.
Durante as investigações em torno do caso a polícia descobriu que rituais eram realizados na Fazenda Bom Vale, de propriedade de Moacir Valente, durante os quais eram sacrificadas crianças, “de preferência louras e do sexo masculino”. O objetivo destes sacrifícios era obter, junto a entidades do mal, vantagens para Moacir Valente em suas negociações com grupos australianos e alemães que pretendiam se associar a ele na exploração das reservas de calcário existentes em suas terras.
Sob a orientação de Pai Ogir ou Ogideir (Ajuricaba Coutinho de Souza), suposto seguidor do que denominava umbanda de Angola, o resultado das negociações com as multinacionais poderia ser favorável a Moacir, desde que este atendesse ao pedido do santo Tranca Rua das Almas, sacrificando uma criança.

A criança foi sequestrada quando estava sob os cuidados de sua tia-avó Maria da Conceição Pereira Pontes, tia de Sandra (mãe da vítima Antônio Carlos) e empregada na fazenda de Moacir. Após o sequestro, Moacir mandou prender a criança num paiol da fazenda, onde a mesma ficou até o dia do sacrifício, quando foi morta por Valdir e Fiote, empregados na fazenda de Moacir Valente..
Segundo o depoimento de Valdir Souza Lima: “No dia 10 eu e o Fiote pegamos o garoto e o levamos para uma figueira que fica na entrada da Fazenda Bom Vale. Lá tem o cercado de arame e, no meio, um altar cheio de imagens. Eu peguei o garoto pelos braços, e o Fiote, com um canivete, cortou o pescoço dele, deixando o sangue derramar numa tigela. A criança deu um gritinho e morreu. Quando já tínhamos tirado todo o sangue, resolvemos esquarteja-lo, cortando os braços e a cabeça. Embrulhamos o corpo num saco de papel e levamos a tigela com o sangue para seu Moacir Valente. Ele bebeu uma parte e mandou que a gente jogasse o resto na cachoeira da fazenda”.

Com a criança desaparecida, todos os esforços para localizá-la haviam se revelado inúteis, levando a polícia a suspeitar que houvesse se afogado em alguma das cachoeiras da região, ou que tivesse sido levada por ciganos, mas não se descobriu nenhuma pista. Até que no dia 14, um tio da criança encontrou os braços cortados e a cabeça jogada num outro canto, próximo a um estábulo da fazenda, e, mais adiante, o corpo com as pernas.
No dia 17, quando Fiote foi preso, já corriam pela cidade as notícias sobre os rituais de magia negra na fazenda. Foi neste dia 17 que Valente decidiu retornar do Rio de Janeiro para Cantagalo, sob a proteção do Coronel Góis, para se apresentar à polícia.
Quase ao mesmo tempo, em Cantagalo, amigos do carreteiro Antonio Carlos Vieira, pai do menino morto, instigavam a população a fazer justiça com as próprias mãos.
Às 19 (dezenove) horas a multidão que começara a se juntar por volta de 15 (quinze) horas já somava quase 2.000 (duas mil) pessoas. Armados de paus, foices, marretas e pedras, rumaram para a Delegacia de Polícia. Apenas 3 (três) policiais civis e 7 (sete) militares lá estavam. Ali também se encontravam presos, em celas separadas, Moacir Valente e Anésio Ferreira (o Fiote).
A multidão forçou a retirada dos policiais e invadiu furiosamente a delegacia, arrebentando tudo o que via pela frente. “Fiote” e Valente foram localizados e brutalmente espancados. Enquanto uns traziam ambos para a rua, outros tratavam de incendiar as viaturas que estavam estacionadas na porta da delegacia.
Segundo Renato Godinho, então delegado de Cantagalo, Fiote e Valente ainda estavam vivos quando foram atirados às chamas.  

(Nota: Fotos do jornal O GLOBO, digitalizadas da revista EROS nº 2 - 2ª quinzena de novembro de 1.979).



                                    Moacir Valente                        Anésio Ferreira (Fiote)
                                         Wilson e Maria da Conceição (implicados nas mortes)


                                        
Os pais de Antônio Carlos 

                                         "Macumba" com galo morto encontrada na Fazenda Bom Vale

Viaturas em cujas chamas foram queimados Valente e Fiote

Jornal da época, tratando do caso.
















                                                                             


sexta-feira, 31 de maio de 2013

A FOTO MISTERIOSA DO FANTASMA DA MULHER ASSASSINADA.

Corria o ano de 1.988 e eu ainda cursava o terceiro ano da Faculdade de Direito. Um colega do primeiro de faculdade, sabendo do meu interesse pelo sobrenatural (pesquiso e coleciono temas góticos desde 1.976), me apresentou uma foto integrante que retratava um casal, tendo a sobreposição de uma mulher deitada. 

Disse-me ele que era um casal de amantes e que a esposa legítima fora envenenada pelo marido, por influência da amante. Quando o viúvo se casou com a amante, resolveram registrar em foto o evento. 

A surpresa veio quando, ao revelar a foto, apareceu em sobreposição o “fantasma” da falecida. Segundo me foi dito o fotógrafo, intrigado com o fato, encaminhou a foto à polícia que interrogou o casal e obteve a confissão. Outra versão dava conta de que, ao ver a foto, o marido arrependido se entregara à polícia, confessando tudo. 

Na época fiquei muito interessado pela foto, mas o colega não queria se dispor dela, mesmo porque não lhe pertencia e a tomara emprestado apenas para me mostrar. Eu queria a todo custo ao menos uma cópia daquela foto, mas na época não existiam os recursos que hoje temos (scanner ou mesmo a máquina fotográfica digital para copiar a foto). E as fotocópias eram de qualidade precária. 

A única solução era refazer o negativo a partir da foto e duplica-la em laboratório fotográfico, o que levaria alguns dias. Após muita insistência minha, o colega de faculdade, embora relutante e apreensivo quanto à possibilidade de extravio, me emprestou referida fotografia, da qual obtive em laboratório a cópia abaixo, a qual integra meu acervo particular até os dias de hoje.

  

Pesquisando mais sobre o assunto, descobri que a fotografia data de 1.949, e consegui localizar na internet seu original, em estado de conservação bem mais precária que a foto que possuo. 

 

A história, ao que tudo indica é real 

Uma foto tirada na década de 40 causou mistério e espanto em Monte Alegre de Minas. A imagem era para registrar o dia de um casamento, mas acabou revelando um assassinato. A mulher traída e assassinada pelo marido aparece deitada, sobreposta à imagem do novo casal, formado pelo homem e sua amante, que era amiga dos dois. 

A história rendeu uma música à dupla sertaneja Tonico e Tinoco, intitulada “Justiça Divina”. A música que fez sucesso sendo tocada nas rádios AM de todo o país retrata esta história, que agora é contada pela dona Hilda Gervásio Siqueira, de 84 anos, moradora da cidade do Triângulo Mineiro. 

 Ela, que chegou a conviver com as personagens na sua juventude, falou de um homem que interrompeu drasticamente seu relacionamento com a esposa, grávida, apesar de viverem aparentemente felizes. Eles tinham uma amiga em comum, que era amante do homem. Cansada de ser a outra, planejou a morte da mulher para tomar seu posto. 

Mesmo sabendo que a esposa legítima estava grávida, ele a matou asfixiada com um lenço. Os dois arrastaram o corpo até um pasto e enterraram. Na foto a mulher aparece deitada com o lenço na mão. 

Após o casamento com a amante, quando o fotógrafo entregou a foto revelada, o marido se assustou e confessou o crime.  

Foto foi tirada em 1949 

Ao contrário do que diziam as tentativas de elucidar o mistério, naquela época não havia possibilidade de sobreposição de imagens. As máquinas em 1949, eram do tipo em que o fotógrafo precisava entrar por debaixo de um pano e explodia uma pólvora, funcionando como flash. 

Especialistas que avaliaram a foto disseram que dá pra perceber uma criancinha no ombro da mulher morta, que seria o bebê que ela estava gerando.  

O vídeo 

A narração acima tem por base o seguinte vídeo:  


A música 

Tonico e Tinoco, indiscutivelmente os maiores ídolos da música caipira (não confundir com música sertaneja), ou “moda de viola” como se dizia na época, eternizaram o episódio na música intitulada “Justiça Divina”, cuja letra segue adiante e que poderá ser ouvida no link ao final. 

Justiça Divina (Tonico e Tinoco) 

(Declamado) 

Dois jovem se casava 
No Arraiá de São José 
Morava a felicidade 
No seu rancho de sapé 
Um dia por u'a amante 
Abandonô sua muié 

(Cantado)

E largô da sua esposa 
Foi simbora do povoado 
Foi vivê com sua amante 
Esqueceu o dever sagrado 
Um dia a amante falô 
Com seu gesto enciumado 
Vai dar fim na sua esposa 
Pra nois viver sussegado 

 Já vencido da paixão 
Como quem tá enfeitiçado 
E matô sua muié 
Enterrô num descampado 
Vivero assim muitos ano 
Como quem fosse casado 
Foro tirá uns retrato 
Por lembrança do passado 

Quando a foto revelou 
No retrato apareceu 
Entre a amante e o assassino 
A esposa que morreu 
Toda coberta de flôr 
Num caixáo que ele não deu 
E um filhinho do seu lado 
Que por crime não nasceu 

Vendo isto o retratista 
Na policia apresentô 
Eles fôro condenado 
O assassino confessô 
Ficaro os dois na prisão 
Conforme a lei condenô 
Castigo da providencia 
Justiça do Creador. 

Para ouvir a música clique em: